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Mostrando postagens de maio, 2026

INSÔNIA

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     Apimentaram meus olhos! E não era desejo ou luxúria. Era insônia; cujo cansaço intercepta qualquer energia capaz de exclamá-la. É o que acontece quando a vida, também chamada de tempo, é sequestrada pelo dinheiro. Pernas responsáveis e corajosas conduzem almas desesperadas pelo vale da exaustão. Não! O sono induziu-me ao erro. Não existem mais vales verdadeiros porque a grana acabou. Droga! Cérebro em vigília erra o dobro. Inspire e respire meio fundo, porque fundo demais induz ao risco de colar as pálpebras em pleno ambiente de trabalho. Vou reformular: não existem mais vales verdadeiros porque a grana concretou a grama e o rio. Os edifícios penetram o solo e insistem em brigar com Deus. Com torres que buscam superar as cadeias montanhosas, “vale” agora é nome de condomínio de classe média, ou no máximo, mineradora com máquinas modernas e cédulas ensanguentadas. Que merda! Sabe mirar no que vê e acertar o que não vê? “A grana acabou” faz sentido. O pensamento insone...

MOÇO

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 Desde que sou moço convivo com as gorduras Também chamadas de torturas Dilacerantes, cerebrais. E meus cereais permanecem secos, rígidos. Bêbado em becos, arroto bíblico Ritmo de aço e íntimo do osso,  Mastigo um bolero belicoso. E desde que sou moço é assim Me perco do meio e de mim E os delírios caprichosos, como avalanches Fazem lanche do arquiteto, devorando por completo Seus mais lindos pratos, seus mais lindos prédios Demolindo meus tijolos desastrosos. Correr na sinopse para tropeçar na sinapse Viver no eclipse e morar na catarse E desde que sou moço Isso me caça e corrói Me morde, maltrata e mói Me traga, me trava, me intriga Porque desde que ouvi “moço” Estou preso no quão essa palavra é antiga.