INSÔNIA
Apimentaram meus olhos! E não era desejo ou luxúria. Era insônia; cujo cansaço intercepta qualquer energia capaz de exclamá-la. É o que acontece quando a vida, também chamada de tempo, é sequestrada pelo dinheiro. Pernas responsáveis e corajosas conduzem almas desesperadas pelo vale da exaustão. Não! O sono induziu-me ao erro. Não existem mais vales verdadeiros porque a grana acabou. Droga! Cérebro em vigília erra o dobro. Inspire e respire meio fundo, porque fundo demais induz ao risco de colar as pálpebras em pleno ambiente de trabalho. Vou reformular: não existem mais vales verdadeiros porque a grana concretou a grama e o rio. Os edifícios penetram o solo e insistem em brigar com Deus. Com torres que buscam superar as cadeias montanhosas, “vale” agora é nome de condomínio de classe média, ou no máximo, mineradora com máquinas modernas e cédulas ensanguentadas. Que merda! Sabe mirar no que vê e acertar o que não vê? “A grana acabou” faz sentido. O pensamento insone...