A REDE
O nome do personagem poderia ser Antônio, Alfredo ou Armando. Ou Rafael, Renato ou Ronaldo. O ar parece seco. Ácaro na cortina. A garganta engarrafada e as cordas poluídas. Nada sai! Nada sai! A sujeira escorre, densa e viscosa, por todos os cantos otorrinolaringológicos. Deu a lógica! Ar condicionado ligado para completar o ataque! Como se o Diabo escrevesse o dia, nos últimos passos da trama, o trem desacelera copiosamente. Uma provocação ridícula! O ar parece seco, e o personagem começa a construir pensamentos intrusivos claramente persecutórios. – Será que é comigo? - ele se pergunta. Nada melhor para enlouquecer do que uma conspiração. O personagem quer saber se Deus o esqueceu ou se, de alguma forma, o maquinista do trem é um adolescente provocando os amigos ou a namorada que estão na viagem “tartaruguística”. O cérebro que inventa palavras não pode controlar o tempo, o trilho, o trem e os entupimentos do pensar. Não é...