O CAFÉ


 O café e o afago

O cafuné e o embargo

Não o jurídico.

O da voz aprisionada no esôfago.

Foi o seu declaratório.

Infringiu-me sensações

Estelares como a serra

Na visão do que é arbóreo

O café tem tudo de terra!

Pães-de-açúcar descartáveis.

E se o amargo berra

Os tremores infalíveis

O aroma enterra

As gastrites perecíveis

Há mares contornáveis

Há ventos inesquecíveis

Amares os grãos

Amares o cafuné

Mas isso é palpite

Talvez seja a fé

E a força das mãos

Na mesma maré

O mesmo grafite

No fim o café

Acima do rio

Cascata febril

São gotas de abril

No fim do café

No fundo do céu

O encargo do axé

Nascer pra ser réu

Num barco só seu

Confesso pra Deus

Em atos a pé

Como um bom plebeu

Viver no até

Pra ser o café

Desses braços seus


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