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Mostrando postagens de outubro, 2025

PENHA

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  A violência orbita O silêncio habita E os óbvios resultados São óbitos enfileirados Os pródigos do mal Celebram a morte e alegram Caim E nossos sussurros são gritos de sim Ao psiu, à pistola, ao vil, ao brutal. Os harmônicos bicotam o solo Tão agudos que rasgam as colinas O que faz da tua retina? Um mar de mães sem colo Você cala, cólera ou tolera? O que faz da tua retina? O pranto se apruma na primavera E foda-se a final do negro-rubro! Sangue é o calibre de outubro! Abrir o tanque das cobras Não foi o primeiro outubro! Quem não recobra, não altera. Vive à mercê de ser, Lembrado pelas feras Serpentes assassinas! Serpentes assassinas! O que faz da tua retina? Mato alto, maré baixa Mato abaixo, maré salta Serpentes assassinas! “Sem saber o que é fé Vou subir a Penha a pé Pra fazer execução” O príncipe do Egito decreta Escrever errado por linhas retas A corrente mortífera varreu o Senhor Voltar caminhando pelas águ...

PRÓXIMA PARADA, LONDRES

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      O Coringão jogará o Mundial de Clubes Feminino! Isso é mais um passo rumo à consolidação do Todo Poderoso como de fato, o time do povo. É uma revolução! A TV Globo, principal emissora do país, anunciou que o futebol feminino terá um espaço fixo na programação da grade semanal. Como é de se esperar, quando o capitalismo percebe o que pode ser rentável, ele se apresenta travestido de filantropia e apoiador da igualdade. O fato é que o Coringão, através das Brabas, coloca sua grandeza nesse patamar que transcende a prática esportiva! O que as Brabas e a torcida fizeram e fazem é uma conquista política e social. Ver o Coringão ser o motor da história política das mulheres no futebol, produz uma famigerada dor de cotovelo nos torcedores progressistas rivais. Muitos deles não aceitam que fatos históricos levaram a isso! Para qualquer alvinegro com entendimentos básicos sobre a história do clube, era óbvio que o Corinthians seria o time a realizar essa façanha. Jogar ...

A VIZINHA PERFEITA: Um filme de encher e rasgar os olhos

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  Uau, Geeta Gandbhir! Uau Geeta Gandbhir! O que eu aprendi “andando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome”, e nas quebradas da pauliceia artística e literária, são outras expressões para as reações de algo fenomenal, intenso e espetacular. Assim sendo, pow pow pow, Geeta Gandbhir! O que você fez em tempos filtrados por 4 e 8ks, e avatares que enchem os olhos de muitos e os bolsos de poucos, é para a eternidade. James Cameron é um gigantesco cineasta. Longe de mim criticar alguém por algo que tecnicamente sei pouco ou quase nada. Até porque vira e mexe um filme específico do Camarão aluga minha televisão do quarto. Não, camarão em inglês não é Cameron; é shrimp. Não me peçam para pronunciar. E sim, é o filme do barco gigantesco. Os filmes do camarão são vistosos e “very expensive”. Ou seja, gigantescos. Não, isso não o diminui como cineasta; é um fato. E sim, ele estudou 10 anos para fazer a “Pocahontas” mais cara de todos os tempos. Para ser justo, o segundo ...

PARA NÃO TE MATAR DE TÉDIO (13/10/1977 - 15/10/2025)

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      Como era de se esperar, o tédio e o Corinthians são palavras antagônicas. Muito mais que o sol e a lua, que costumam acenar um para o outro por alguns instantes, o Coringão e o tédio jamais interagem. Um grão tem o diâmetro do deserto, e uma gota o tamanho do Rio São Francisco. Tudo é demais! Esse é o Corinthians! A expressão mais transcendente da Terra. Um movimento de ato e potência. Tempo, política, religião, filosofia, história, posicionamento. O Corinthianismo é o único a saber que o futebol é uma ferramenta e não um fim. Para não te matar de tédio, melhor irmos aos fatos do futebol e fora dele.      Em 13 de Outubro de 2025, completaram-se 48 anos da maior conquista da história do Coringão. Só que não foi uma conquista, uma taça, ou um mero “sair da fila”! O que aconteceu em 1977 foi a libertação emocional de uma população. Um dilúvio de paz. A afirmação de que a vida, por mais difícil que possa ser, é uma linda luta a ser contemplada, vi...

TANGO DO SALDO DEVEDOR

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  No baile dos boletos eu dancei. Ampliei meus passos o máximo que pude Lá estava ela! Fitando-me, flertando! A ilusão da virtude. No baile dos boletos eu dancei. Os pliés não eram tácitos. Eram tóxicos Cá estava eu! Onde rebolei ando robótico. No baile dos boletos eu dancei. Esperei sentado o convite que jamais chegou. Rabisquei nos salões Reboquei distrações E quando percebi que o bosque era labor O laranja do mapa de calor Matava-me de frio, rompia-me os tendões. No baile dos boletos eu dancei. Atrasei algumas vezes Cortei-me com os cartazes Que teimavam em frases, que eu sempre temia Atrasei algumas vezes O quinto dia treze De mim não dependia. Atrasei algumas vezes E no baile da saudade eu não fui. Eu nunca fui! No baile dos boletos eu dancei. Passei pela porta do baile da saudade Jamais entrei. Quem brilha no baile do aperto Não consegue ver carinho ou coreto No braile do boleto eu dancei. Passei pelo baile da saudade ...

VERSOS ROUCOS, ROTINA E SAL

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foto: Sebastião Salgado Ira! Nome de banda ou de pecado? Era! Época ou Deusa? Foda-se o H! A poesia não precisa do seu revisionismo! Nem da sua gentileza. Romantize seu próprio abismo. Cansei-me da esperteza. Do raso ao riso na correnteza Chega de “ismos”.                                                              Ira! É terapia ou pecado? Eu não quero mais morrer afogado! Eu não quero mais morrer dormindo, Sonhando em ganhar os rios. Que Morfeu vá para o inferno, De mãos dadas com sua poesia. Os fios de esperança são embaraços Me perco na poda que me pedem. Esterco nas rodas que me regem. E com o pulmão cheio e a boca interditada, um último passo. Em um circo cínico, enlouqueço. Guarde Sêneca para você, poeta. Cale-se, cale-se! Você me deixa rouco. Desconheço meu próprio som. Capital! S...

EU ESTOU AQUI!

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  Jesus Cristo! Eu estou aqui! A música de Roberto Carlos e Erasmo Carlos deve ser uma das mais famosas do século XX nesse Brasil de meu Deus. A canção, icônica para qualquer pessoa nascida no milênio passado, aproxima-se da terceira idade com seus mais de 50 anos, e seu sucesso é um símbolo da profundidade e capilaridade do cristianismo no país. Em tempos recheados por “Apocalipse nos Trópicos”, a música Gospel nas paradas de sucesso, Templos protestantes faraônicos e conglomerados de mídia, convém dizer que não há novidade. “A Novidade” é uma das múltiplas obras-primas de Gilberto Gil, este sim, o homem que deveria ter recebido o título de Rei. Feita essa afirmação, não há novidade nessa proposição teocrática dos pentecostais. Sejamos justos, a aliança formada entre o Rei, a Rainha e a Igreja Católica Apostólica Romana existe desde a primeira ignição do calhambeque, cujo barulho do motor produz a onomatopeia “plim plim”. Os que conheceram o mundo pré streaming e TV à cabo sabem d...