PENHA

 

A violência orbita

O silêncio habita

E os óbvios resultados

São óbitos enfileirados

Os pródigos do mal

Celebram a morte e alegram Caim

E nossos sussurros são gritos de sim

Ao psiu, à pistola, ao vil, ao brutal.

Os harmônicos bicotam o solo

Tão agudos que rasgam as colinas

O que faz da tua retina?

Um mar de mães sem colo

Você cala, cólera ou tolera?

O que faz da tua retina?

O pranto se apruma na primavera

E foda-se a final do negro-rubro!

Sangue é o calibre de outubro!

Abrir o tanque das cobras

Não foi o primeiro outubro!

Quem não recobra, não altera.

Vive à mercê de ser,

Lembrado pelas feras

Serpentes assassinas!

Serpentes assassinas!

O que faz da tua retina?

Mato alto, maré baixa

Mato abaixo, maré salta

Serpentes assassinas!

“Sem saber o que é fé

Vou subir a Penha a pé

Pra fazer execução”

O príncipe do Egito decreta

Escrever errado por linhas retas

A corrente mortífera varreu o Senhor

Voltar caminhando pelas águas é perigoso

Não parar sem aviso, belicoso

Legitima um oceano de horror.

Pá! Pá! Pá! Veio da água sem visto!

Três tiros no rosto de Jesus Cristo.

O corpo? Cobre.

E Deus descobre

Aqui, ele é só uma estátua.

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