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Mostrando postagens de novembro, 2025

CÊ QUE PENSA

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      Árvores secas diante de olhos úmidos. O corpo entupido de água esfacelado no chão. E o tronco de pé, torto e rígido. Galhos em riste mirando o céu, ou melhor, desafiando os céus. “Morrer é preciso”, pensa a árvore. “ Correr é preciso”, pensa o homem. “Morrer pelas mãos do tempo”, pensa o homem. “Morrer pelas mãos do tempo, tanto faz”, pensa a árvore.        O amor e a valentia derrubam mais homens que árvores, e ambos sabem disso. Mas só a árvore sabe o quanto homens derrotados derrubam árvores. Ela, viva e estática, coberta por uma natureza desafiadora, não se importa com as horas, cobras, camaleões e escorpiões. O receio de morrer não faz parte da sua natureza! “Isso é coisa dos homens”, pensa a árvore.      O homem é mais mole que um peixe. Ele caminha para a dor enquanto corre dela. “Aqui tem água-viva, aqui tem jiboia e escorpião”, pensa aceleradamente o homem. Mais refém da água que o peixe, porque o segundo nasceu para viver...

CORTE

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 Eu fui à Corte para pedir o corte Queria esquartejar o papel da carta Pois triturar minha alma por esporte Fingindo ter na natureza Esparta Me condena a morrer consorte Enquanto o reino vida desembarca. A dó está desaparecida Na paciência santificada Sua indecência pela estrada Intitulou sua própria descida “O bobo e a bebida” Bailando próximo à janela A torre é a cela O morro a saída O sim que encastela É o sim da partida. Ver-te imitar um cidadão Alerta apitos estomacais Me embrulha o imbróglio, Mas barulhos eólios São gargalhos de paz. Longe do meu orvalho Embrulhe o embroma Espelhos, redomas Estúpido e caralho, Sinônimos! Eu sou o aparte! A parte de vossa alteza Enviada com sutileza Ao vazio que pertence. Eu sou o aparte! Eu sou o adeus! Eu sou a Feiticeira!  Dona verdadeira do aqui. Agora vá! Quem se canta rei do mundo, Não dá conta nem de si. Agora vá! Retorne repetindo moribundo “Que ninguém te deu suporte” Guarde fácil no palácio, em seu canto mais fundo Que eu fui à ...

JOGO DA MEMÓRIA

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      Muitas coisas fazem o ser, de fato, humano. Apesar das narrativas moralizantes sobre uma pretensa empatia natural, será mesmo um atributo nosso? Um grande amigo, cujo nome não será revelado, escreveu um verso brilhante sobre a existência: “No fim das contas, o ser humano é bem mais ou menos”. A ideia cultural-religiosa que sustenta a criação do mundo como uma composição perfeita é completamente humana; a fragilidade incoerente e arrogante dessa proposição, derrotam por 3x1 a performática empatia. As dúvidas sobre a bondade natural pairam no ar. O motivo? Observe o mundo. Guerra, fome, miséria, intolerância, racismo e violência. E o curioso são os excelentes seres humanos brasileiros observarem isso na Ucrânia, Palestina e até Venezuela. Contudo, aqui me refiro ao Anhangabaú, Glicério, Moinho e Barão. Os fones e telefones móveis inundaram os trajetos no trem. A estação da ignorância atingiu patamares irreversíveis. O que agoniza o outro ignoramos. Os passos e po...

O PIANO

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  O som do piano é a vida pura. O bom do piano é sua ternura E com o piano eu fiz tantas juras Que o tom do soprano se perdeu da cura Na partitura, garranchos! E a parte que atura velada, obscura Se a arte da tintura desbotara, Samba de verdade dura Assinaturas e arranjos? Assassinados! Samba de verdade dura Aquele copo de Jobim Morreu o foco, nasceu o fim Os panos estão encharcados! Os danos sentenciados. E o maniqueísmo do piano Contempla qualquer desmanche As teclas de uma revanche Cromatismos mundanos Piano estavam as cordas Piano que se recorda A sombra é o que entorna A luz que já não estorna A música agora morna Sucumbiria de qualquer forma. Ombros devorados pela bigorna, Um dia desistem dos contracantos Ainda que o peso leve dias E o pranto queime os anos Era uma bigorna, Ainda que fosse um piano.

JAMAIS ACABARÁ

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   O cenário que antecedia o jogo era profundamente paulistano. Garoa, quebrada, garganta, cerveja e espeto. Os rio-grandenses acreditam deter o monopólio do churrasco, e as origens não importam por aqui. A finalidade era comer o espeto de carne cuja procedência é duvidosa, coberto por uma farofa que remete aos antepassados. Poucas coisas transformam a realidade em fantasia quanto o futebol. No Coringão, perrengue vira aventura. A memória nasceu para ser “desgourmetizada”. Você pode tentar, mas esquecer não depende exclusivamente de seus desejos.        A volta das torcidas organizadas deu o tom da bancada! O ritmo de torcida, como se diz entre os organizados é algo sacro para a população alvinegra. Tinha de ser especial, e foi. A garoa tipicamente paulistana convergiu poeticamente para o desafio que é ser coringão e ser gavião. É outra parada! E por falar em parada, como esperávamos, barreiras policiais para a entrada no setor norte justo no dia da volta...