CORTE
Eu fui à Corte para pedir o corte
Queria esquartejar o papel da carta
Pois triturar minha alma por esporte
Fingindo ter na natureza Esparta
Me condena a morrer consorte
Enquanto o reino vida desembarca.
A dó está desaparecida
Na paciência santificada
Sua indecência pela estrada
Intitulou sua própria descida
“O bobo e a bebida”
Bailando próximo à janela
A torre é a cela
O morro a saída
O sim que encastela
É o sim da partida.
Ver-te imitar um cidadão
Alerta apitos estomacais
Me embrulha o imbróglio,
Mas barulhos eólios
São gargalhos de paz.
Longe do meu orvalho
Embrulhe o embroma
Espelhos, redomas
Estúpido e caralho,
Sinônimos!
Eu sou o aparte!
A parte de vossa alteza
Enviada com sutileza
Ao vazio que pertence.
Eu sou o aparte! Eu sou o adeus!
Eu sou a Feiticeira!
Dona verdadeira do aqui.
Agora vá! Quem se canta rei do mundo,
Não dá conta nem de si.
Agora vá! Retorne repetindo moribundo
“Que ninguém te deu suporte”
Guarde fácil no palácio, em seu canto mais fundo
Que eu fui à Corte para pedir o corte.

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