VERSOS ROUCOS, ROTINA E SAL
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| foto: Sebastião Salgado |
Ira! Nome de banda ou de pecado?
Era! Época ou Deusa?
Foda-se o H!
A poesia não precisa do seu revisionismo!
Nem da sua gentileza.
Romantize seu próprio abismo.
Cansei-me da esperteza.
Do raso ao riso na correnteza
Chega de “ismos”.
Ira! É terapia ou pecado?
Eu não quero mais morrer afogado!
Eu não quero mais morrer dormindo,
Sonhando em ganhar os rios.
Que Morfeu vá para o inferno,
De mãos dadas com sua poesia.
Os fios de esperança são embaraços
Me perco na poda que me pedem.
Esterco nas rodas que me regem.
E com o pulmão cheio e a boca interditada, um último passo.
Em um circo cínico, enlouqueço.
Guarde Sêneca para você, poeta.
Cale-se, cale-se! Você me deixa rouco.
Desconheço meu próprio som.
Capital! Sede, sede, fome ou cal?
Versos salgados são reais.
E os renegados radicais,
Não engolirão a farofa brutal.
Golã, Golias e galãs não me protegerão.
Um gole que adestra
Eu sou um rato behaviorista!
Essa metástase destra
No lápis de um romancista
Sempre me defenestra.
Eu disse raiva! Ira é floreio.
Quantas chaves para sair do calabouço?
Frouxo! Eu disse
raiva!
As salivas evaporaram
Os olhos se tornaram secos.
Lágrimas são para os vivos.
E no nocivo labirinto
Um intestino delgado de becos.
Eu não quero ser a bruxa nesse caralho!
Perdoe-me pela reza,
Mas nada é mais cristão
Do que a erotização do trabalho.
A masturbação de exaltação do pró ativo
Eu só não te dou outra porque,
A raiva e o enraivecer
São para os vivos.

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