LEONEL LULA OU LULA, O LEONEL?
A história de Lula ou do PT é
muito grande, e faltam elementos para esse escritor abordá-la por completo.
Pela ótica petista ou não, concorda-se que seriam necessárias muitas e muitas
páginas. Isto posto, o que vai caber aqui?
Muitos companheiros haviam desistido de
Lula e do PT como líderes da esquerda brasileira. A bem da verdade, isso existe
desde que o PT existe. E Lula segue contradizendo essa versão dia após dia.
Desde que o PT chegou ao poder, em janeiro de 2003, o fogo amigo, inimigo, de colegas
e conhecidos fora implacável. Heloísa Helena, Hélio Bicudo, Plínio de Arruda
Sampaio e Luciana Genro. A lista é enorme. Sem contar a volta dos que não
foram, a quem se deve agradecer, casos da Ministra Marina Silva e do provável Ministro,
Guilherme Boulos. Este último, quem imaginaria? O mundo capota mesmo!
Para estar de acordo com a visão que o
personagem tem de si mesmo, e seu nível ególatra, aqui está! Um parágrafo
exclusivo para Ciro Gomes, o enganador! Verdade seja dita. Houve uma
dissidência legítima dentro da esquerda em 2018. Muitos companheiros enxergaram
no “excenputíssimo”, a época no PDT, como a melhor alternativa para derrotar
Bolsonaro. Muitos foram além e o nomearam como o novo líder da esquerda
brasileira; exigiram humildade do PT e de Lula, como se fosse algo que faltasse
a este último. Pasmem! Jovens pelos quatro cantos da cidade, entre um samba e
outro, entre um gole e outro, bradavam: “ Lula, seja humilde! Retire-se e blá,
blá, blá”. Ou como preferem os sambistas “quais, quais, quais”. Será que o céu
é o limite mesmo? Teve gente enterrando Lula e ressuscitando Brizola através da
figura de Ciro. Meu Deus! O tempo não apenas cura. O tempo também educa.
Depois que o PT se consolidou como o
maior partido de esquerda da América Latina, um método midiático se
estabeleceu. Veículos travestidos de transparentes e isentos, resolveram ceder
espaço em seus tabloides para uma pretensa “esquerda verdadeira” e/ou “esquerda
não corrupta”. O plano era o mesmo dos jovens no bar, ainda que estes tivessem
a melhor das intenções e a pior das análises conjunturais para a esquerda. A
Folha de São Paulo é o veículo que melhor caracteriza essa prática. É assim até
hoje, e os espaços de mídia devem e precisam ser disputados. Mas, em uma era
dominada pelas Bets, a banca apostaria que Jones Manoel caminha a passos largos
para receber o convite da Família Frias. A falta que Paulo Henrique Amorim faz
ao jornalismo brasileiro é notória nesse sentido.
O que os jovens na esquerda de 2005,
2010, 2013, 2018 e 2025 têm em comum? Todos achavam e acham que tinham a
receita, e todos achavam e acham que tinham inventado a roda. Todos ou boa
parte deles, até hoje, se acham muito mais “de esquerda” que o Presidente Lula.
Existe um erro de análise, de compreensão e de “procedimento”. A juventude
pouco respeita a Velha Guarda, suas trajetórias e conquistas. Em geral,
esquecem o que o PT produziu nos últimos 45 anos. “Uma coisa é uma coisa e
outra coisa é outra coisa”, diria um velho combatente da esquerda brasileira,
cujo nome não será revelado. Para efeito de comparação, conjecturar por exemplo
que a Rita Von Hunty ou o Ian Neves são “mais de esquerda” que o Lula ou “mais
de esquerda” que homens machistas que estão no movimento de moradia há 30 anos
por exemplo, é um escárnio. Para o mundo mudar, ele precisa ser mudado.
Resultado, prática; enfim, política. O fratricídio na esquerda sempre foi um
problema, e um texto não mudará isso.
O que é categórico dizer é que Lula
apanha desde antes da fundação do PT, geralmente de vários lados. E não há
problema! O próprio homem disse certa vez: “Eu quero dizer, aos que não gostam
de nós, protestem! Eu nasci na vida protestando”. Essa frase, dita em 2016 na
Avenida Paulista, durante manifestação contrária ao golpe parlamentar
perpetrado contra a Presidenta Dilma, revela um ser profundamente democrático e
estabelece a dúvida sobre a autocrítica da esquerda não petista nos últimos 15
anos, ou então dos progressistas nos últimos 15 anos. A postura de endossar a
perseguição ao PT de setores da esquerda, levaram o país para uma catástrofe.
A eleição crucial do ano que vem
se aproxima, e junto com ela as perguntas. Os “SuperEsquerda” serão capazes de
fazer a leitura política que a população precisa? Votarão em Lula a fim de
liquidar a fatura no primeiro turno? A juventude será capaz de ler dessa forma?
Pressionará seus Youtubers “comunistas” e “anarquistas” para esse caminho? O
adversário da direita brasileira e dos oligopólios de comunicação, agricultura
e indústria é e sempre foi o PT, não os youtubers, acreditem. Diante de toda
correlação de forças atuais no Congresso, a Política Real, não a do Youtube,
mostra que Lula, Haddad e companhia estão operando um milagre ao conseguir
colocar as coisas para andar nessas circunstâncias.
O discurso do Presidente Lula na
ONU, em 23 de setembro de 2025, entrou para a história. Assertivo em cada
palavra, Lula mostrou mais uma vez o nível de liderança global que é. O
nordestino é um acontecimento da natureza! Lula não fala sobre Stalin, Lula
fala sobre a fome. Internacionalmente, com o vácuo de lideranças e a ascensão
da extrema direita, ele é quase um último camisa 10, e o mundo sabe disso. De
Xi Jinping a Bill Gates. O vinho é mais uma prova que o tempo educa. Lula, como
se fosse o melhor vinho francês, tamanho o carinho do Président Macron, mostra
à juventude um “como fazer” nunca antes visto por um líder popular e
democrático. Barack Obama já havia dito que “ele é o cara”, em 2009. Viver
contemporaneamente a ele dificulta mensurar seu tamanho. O que não é
pretencioso afirmar, é que Lula vai fazendo de suas últimas partidas
verdadeiros recitais, a ponto de ser comparado ao Lionel. Isso mesmo, Lionel
com “i”! O Leonel com “e” merece crédito e reconhecimento, mas já foi superado
há muito tempo. Lula é o Lionel da era democrática no mundo, isso considerando Mandela o indiscutível Edson.

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