PERDIDO NO MUNDO

 

 

     O Bayern é um “senhor” time de futebol! É impressionante! Embora seja um time com deficiências notórias na acadêmica “transição defensiva”, é surreal o quanto os bávaros “Praticam”, com P maiúsculo, o jogo. Os legítimos campeões mundiais Chelsea, escaparam de um “chocolate”. As razões são tão profundamente filosóficas, que não haveria tempo para dissecá-las por aqui, pelo menos por agora. Assim sendo, atenhamo-nos puramente ao jogo.

      O time alemão é treinado por Kompany. O ex-zagueiro belga é definitivamente um discípulo do “Guardiolismo”, tendo atuado como jogador de Pep Guardiola durante anos no Manchester City. O jogo pautado na posse de bola e no passe preciso praticado pelos bávaros tem muito do “jeito Guardiola”. Sem filosofar demais, vale ressaltar que o Próprio Pep foi treinador do Bayern entre 2013 e 2016.

         Os campeões do mundo possuem grandes jogadores. O nível é alto, especialmente nas figuras do gélido Palmer, o intensamente argentino Enzo Fernandes, o comum Pedro Neto e o excelente João Pedro. Ademais, assim como João Pedro, o Chelsea é formado por outros aspirantes a craque, vide o reserva Estêvão, que não, ainda “Não” é craque.

     Do lado vermelho do confronto, o Bayern tinha alguns craques à disposição, como os comuns Olise e Luis Díaz. Mas, o time alemão tinha também três jogadores muito craques. Harry Kane é um jogador raríssimo. Ele é absurdamente completo quanto aos fundamentos e com uma inteligência fora da curva, além de extremamente participativo e corajoso, pois ele claramente é uma das lideranças da equipe. Ainda sobre liderança e tipo de craque, Kimmich é um volante genial. A leitura, os passes e o controle de jogo demonstram o quanto ele é um Toni Kroos piorado, e sim, isso é um elogio dos maiores. Por último, mas sempre o primeiro a ser citado na escalação, sempre será preciso falar de Neuer. O maior goleiro da história do futebol por motivos que valem um livro. Entretanto, para fim de análise, essa frase já sustenta o necessário. Um goleiro que passa melhor que os volantes do seu time, esse é o Bayern.

       Todas as diferenças entre jogadores, filosofia e comando técnico, desnudaram os campeões do mundo. Foi quase como se o Chelsea fosse devolvido ao seu devido lugar. Existia uma razão para antes do Mundial de Clubes, os favoritos serem apontados em Paris, Madri e Munique. Sim, o patamar é outro. O nível de técnica, movimento e passes do Bayern são fantásticos.

Antes da partida, já sabíamos que o Bayern seria um dos favoritos para vencer a Champions League. Cá entre nós, todo ano é assim. Depois da partida, o favoritismo se amplia. Outro motivo de alegria para os apaixonados por este esporte, é poder assistir o “jogar bola” do maior da Alemanha, definitivamente um time “tipo A”, como diria Mano Brown.

      Se um dos maiores nomes do Rap de todos os tempos é citado, é impossível não valorizar e exaltar o Kompany. A simbologia, o peso e a dimensão de um homem negro liderar um dos cinco maiores times da Europa é a história em movimento. O Bayern de Kompany fez os campeões do mundo se sentirem perdidos no mundo. O bicampeão mundial Enzo Fernandes, conhecido por jogar muito no meio-campo e por ter participado de cânticos racistas após a Copa de 2022, estava perdido no baile. Foi colocado para dançar de um lado para o outro, pela tática, filosofia e conhecimento do promissor, estudioso e brilhante Vincent Kompany.

     

 


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