A LITERATURA JAMAIS MORRERÁ

 

     A Literatura jamais morrerá! Já faz muito tempo que os homens tentam destruí-la e corrompê-la. Enquanto a imaginação humana existir, a Literatura existirá. O poeta que fugiu da Academia não se arriscaria a tecer formulações complexas a respeito das próprias afirmações. Linguagem, Epistemologia e Pensamento foram aulas perdidas pelo poeta, provavelmente por causa daquela ligação, recebida exatamente naquela hora, com especificamente aquela proposta, acabou sendo irresistível. Ora, atender à chamada do mundo sempre será melhor do que atender a todo mundo. Deve ser assim que o ser humano descobre o significado da palavra tentação. Também deve ser assim que o ser humano descobre que a liberdade existe. Pera! Ou como preferem os acadêmicos “Espere!”. A liberdade é conhecida antes mesmo de a gente aprender a falar a palavra liberdade? Se for assim, então a palavra é a representação do pensamento. Certamente, o poeta leu isso em algum lugar, muito possivelmente em um dia que ele recusou a famigerada chamada.

      A literatura jamais morrerá! Já faz muito tempo que os homens tentam destruí-la e corrompê-la. Atender ou não à ligação de nada vale se você não conseguir compreender o que o mundo diz. Mesmo a pessoa ouvindo o áudio trezentas vezes, nas três velocidades, ela não entende. O poeta precisa se educar! É mais adequado dizer “ele não entende”. Fugir do mundo ou transar com o mundo não levará os seres à compreensão. Dessa maneira, não há como entender nada! Os seres vivem reféns do que leram e daquilo que não leram! Nada conseguem saber sobre a imortalidade da Literatura e sobre a mortalidade de seus próprios pensamentos! Nada conseguem saber sobre a imortalidade da Literatura e a imortalidade de seus exclusivos sofrimentos! Nada conseguem saber.

      A literatura jamais morrerá! Já faz muito tempo que os homens tentam destruí-la e corrompê-la. Primeiro, proibiram as mulheres de tudo! Como foi “tudo” mesmo, é melhor usar essa palavra para abarcar essa bíblia de violações. Proibiram as poetas de existirem, subtraindo seus direitos humanos de aprender, formular e organizar os saberes de suas chamadas telefônicas. Elas foram expulsas da chamada de vídeo! Depois, alegaram ser os inventores de todos os canais de comunicação para o mundo. Estabeleceram fronteiras, tratados, regras, normas, instituições e academias. Agora, mesmo os homens que mais leram parecem não entender que todos nós vivemos dentro da chamada de vídeo!

        A Literatura jamais morrerá! Já faz muito tempo que os homens tentam destruí-la e corrompê-la! A Literatura não pode ser vítima de feminicídio, ainda que o mundo esteja entupido de feminicidas e feminicidas em potencial. É sério! A chamada de vídeo é 3D de tanto feminicida transbordando. Veja, nesse caso então, é melhor o poeta literalmente pedir licença pelo texto.

     A Literatura, substantivo feminino, jamais morrerá! Ela não pode ser aprisionada porque ela é como Deus, ou Deusa, na visão de muitas e muitos. Ela não está, ela é! Embora a leitura tenha se tornado, aparentemente, o último lazer possível, a Literatura já estava aqui antes e depois da energia atômica ou elétrica, a Literatura já estava aqui antes e depois de Cristo. Tudo que você pensa saber sobre a vida depois da chamada de vídeo, foi-lhe explicado pela Literatura, ainda que você negue três vezes como Pedro negou Cristo. A Literatura não morre porque ela não nasce. O que nasce são as pessoas, até onde se sabe, pelo bendito fruto do ventre, de única e exclusiva propriedade das poetas. É no primeiro pensamento e imaginação dos seres que a Literatura se faz embrionária. A hora de encerrar essa chamada chegou. Se seres existem, em especial mulheres e crianças, a Literatura jamais morrerá.


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