MANUAL DO NÃO BRADADO
O arranjo chegou ao castelo.
Correr contra a porta não importa
Mesmo anjos e martelos
Quando há pompa, trompa esgota
Não conseguem ajudar.
A derrota do exército incandescente
Pelas mãos de um samba paciente
Que faz do ringue, suingue
E do estilingue, repente.
E de repente as “languages”
E sua falange bélica
Embora fosse épica
Na ótica empírica
A ideia lírica
É a melhor passagem.
Porque a vida e sua inércia
Seja caldo ou cauda
Seja flora ou fauna
Mocotó ou persa,
A vida nos dá.
Descobrir-se de aqui,
Desdobrar-se dos nós,
Desbravar-se de si,
Dez calibres do algoz,
Onde o círculo da cólera
É rompido pela cócega
Que a vida nos dá.
E no meio da barriga,
A mil léguas da barricada
O recheio de toda briga
É uma régua desnorteada
Porque lá é diferente de ali.
O amor é um lar
Construído pra vir
Ou é qualquer lugar
Para seu trailer ir
Se a tristeza for cá
Vou no samba dali
Não adianta chorar,
A vida é aqui.

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