CONTEXTO
O primeiro passo de um ano é contextual. O primeiro passo de um ano é muito parecido com o último. Fazer da blusa cobertor é dar sentido ao objeto. Assim sendo, canhotos, destros e os que “chutam com as duas”, abrirão seus respectivos compassos contextualmente, e o primeiro passo do Campeão Corinthians na temporada 2026 é uma prova disso.
É impossível dizer se seremos ou não campeões mais uma vez. Contudo, somos sim os campeões; atuais campeões da Copa do Brasil e do Campeonato Paulista. O reencontro entre time e torcida após a épica volta olímpica no Maracanã foi um espetáculo desafiante. E por falar em volta, a histórica “voltinha” aplicada por Breno Bidon em Cauã Barros no lance decisivo da final contra os “porcos do Rio”, alçou para o despertar de uma parte dorminhoca da nossa torcida. Porra, “tava na cara”! Óbvio que o menino se tornaria um “jogadoraço”! A sagacidade, técnica e refino do jovem para jogar em nossa estreia no Campeonato Paulista fora fantástica. “Ah, mas era o Vasco de Campinas”, dirão os críticos. Ora, não há mais nada para duvidar do novo camisa 7 do Coringão! Formado nas categorias de base, o garoto não sonha; ele é uma realidade.
As curiosidades do futebol e de seus contextos são magníficas. Reparem nos passos e nas cores. O último passo havia sido contra os “porcos do Rio”, e o primeiro deste ano, a partir de agora o novo último, foi justamente contra o “Vasco de Campinas”. Mesmo design de uniformes e a mesmíssima freguesia. Os cariocas usaram roupa preta e faixa branca e os campineiros de roupa branca e faixa preta; e, adivinha? Mais do mesmo. A vocação para perder desses dois é hilariante. Melhor para o Todo Poderoso, que acumula vitórias e mais vitórias contra estes dois. Sobre o novo último passo contra o “Vasco de Campinas”, a verdade é que o Coringão fez uma ótima partida. Charles e André jogaram muito e trouxeram uma vitalidade ao meio campo que Maycon não entregava, e que o “boleirasso” Carrillo não entrega. Pouco se extrai de uma partida contra um time horroroso, mas de qualquer maneira, cumprimos nosso papel com amplo domínio da partida, e nossa população sorri nesta segunda.
Extração! O que se extrai de um jogo desses? Como todas as palavras, o verdadeiro sentido e significado está no contexto, ou seja, na realidade. Basta pensar nos dentes, por exemplo. Extrair um sorriso com uma piada é diametralmente oposto a extrair um ou mais dentes. A posição conhecida de muitos é dizer que esse campeonato não vale nada! Quando derrotamos a imundície na final do ano passado – mencionar que era uma final se faz relevante porque batemos neles o ano todo – boa parte dos assíduos por diminuir nossos feitos inferiorizaram o resultado, desdenharam do campeonato, disseram que o campeonato não valia nada. A pressa para constatar coisas costuma ser errática, e desmerecer nossa conquista no campeonato paulista de 2025 é a prova viva, porque embora muito de nossos olhos estejam inundados e cercados por IA, o contexto do futebol, graças a Deus, ainda é graciosamente humano, e por isso o título valeu tanto. Essa taça e esses momentos decisivos deram a “cancha” para os momentos agudos e de sofrimento que viriam. A equipe amadureceu e quando a hora chegou, estávamos prontos para vencer novamente. Psicologicamente, a confiança e personalidade de nossos jogadores mudou de patamar, e contra o time de Campinas isso foi notório e, como sempre, assiduamente público. Por isso, cabe dizer que o pior da imprensa esportiva é seu descompromisso com a história cultural e psicológica que envolve o jogo. Os jornalistas que falam inglês insistem em “acabar com os estaduais”, e usam explicações contextuais pífias e patéticas para explicar esse ponto de vista. Tenha a santa paciência! Esse olhar tipicamente urbano é uma visão estreita de mundo e de história, porque de um lado tenta alicerçar um mundo globalizado, como se a metrópole fosse a única, verdadeira e significante realidade; e de outro, desconhece que o fenômeno de massificação da torcida do Coringão perpassa também as excursões pelo interior do estado ao longo das décadas. Em um país continental profundamente interiorano e concomitantemente litorâneo, beira o inacreditável defender o fim dos campeonatos estaduais.
Os devotos por comida crua geralmente usam as mãos como leque para tentar consertar o flagelo contra a própria língua. O contexto da quentura do pão é diferente do vinho. A intenção ao buscar um e outro são distintas. Para nós, o Coringão é o contexto, seja pão ou seja vinho, e com as festividades encerradas, reiniciamos uma nova luta e jornada ao lado do pão nosso de cada dia – lê-se “Corinthians” onde está escrito pão – conosco em todos os nossos contextos e vossos caminhos. No domingo, na ida e durante o jogo o calor estava insuportável. Entretanto, quem escolhe esse contexto consegue dar um jeito de burlar esse desafio, ainda mais quando a bola não queima no pé do time. Se nosso escudo está de pé, o jogo importa. Se nós estamos de pé, o escudo está de pé. É um paradoxo de um contexto singular, cujo nome é Sport Club Corinthians Paulista. E não é um, é O. O contexto que faz a Terra tremer e o Sol desistir. O contexto da existência completa, onde a criança de 9 anos faz da torneira chuveiro no banheiro do Setor Norte.

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