É PRECISO SER FRANCO?

 foto: Matheus Gasconi / Alambique FC

     Quando o goleiro do Benfica faz um gol   de  cabeça no último lance de uma partida   contra  o maior campeão do torneio, o esporte   respira.  Romper com o sofrimento por meio   da esperança são vírgulas de um texto bruto,   cujas almas logo intitularam de “vida”. É   preciso ser franco! Nada sei sobre a história do Benfica, ainda. Devem haver trechos problemáticos e condutas questionáveis, pois a história do mundo revela que onde há euro, há oneração; e bem, fica para depois a história do time português.

      Eufemismos à parte, é preciso ser franco. A real história do superestimado time espanhol é toda enredada com proximidades à ditadura do, rufem os tambores, Francisco Franco. A relação entre o clube e o fascismo espanhol fora umbilical. A construção do time no maior campeão da UCL, passou intrinsicamente pela proximidade com o regime autoritário franquista, sem mencionar os gritantes erros de arbitragem ao longo do tempo. Quem não conhece a história será feito de história por terceiros, e é por isso que é uma vergonha pessoas latino-americanas, jornalistas, ex-atletas, atletas e torcedores, referirem-se aos blancos de Madri como “o maior time do Mundo”.

     Com o cuidado que o tema exige, é preciso ser franco; Vini Jr deveria sair deste time! Ir para um time e/ou liga que combata o racismo efetivamente, como a Liga inglesa ou a alemã, onde a historicidades de clubes como Liverpool, Arsenal e Bayern poderia respaldá-lo efetivamente. O nome do estádio dos chantillys leva o nome de um fascista, e a imprensa esportiva finge não ver. O esporte acha que não faz parte do seu papel, e o racismo no esporte jamais será derrotado enquanto estes fatos não exigirem desculpas públicas, renomeações de coisas e lugares, destinação de recursos para o devido combate, punição com medidas socioeducativas sobre a história do racismo e do autoritarismo no esporte. É impossível combater o racismo no esporte se não houver um plano que vincule a educação física à história nas escolas. Crianças gostam de correr, e todas deveriam saber o que houve nas Olimpíadas de 1936 em Berlim, e aprender sobre quem foi Jesse Owens; sem isso, as matérias, reportagens e homenagens não passam de propaganda capitalista que atua, atua, atua, atua; seja em teatros para milhares de pessoas ou estúdios televisivos. É preciso ser franco! A tristeza pragmática e abjeta do mundo é perceber que, uma mudança de nome no estádio só seria possível por razões mercadológicas – Naming rights para os íntimos – e financeiras; essa é a podridão humana. Não importa o que Vini faça! Mesmo que ele supere os números esportivos de Messi, Pelé, reinvente o jogo e faça milhões de gols contra o Barcelona, o estádio sempre estará mais próximo de se chamar Coca-Cola ou Shell do que Vinicius, Marcelo, Roberto Carlos ou Evaristo.

      Portanto, francamente, deve-se aproveitar estes últimos refúgios de beleza no esporte, vide as mulheres do Coringão derrotando as ricas de Nova Iorque e indo à final do mundial contra o Arsenal, o Marrocos na semifinal da Copa do Mundo e o gol do goleiro do Benfica, porque os reais, euros, francos e dólares operam para sufocar todas as vírgulas que fizeram do esporte, cultura; e do bom combate, filosofia. O projeto sempre foi esse. A americanização esportiva atingiu com força o futebol, fazendo da emoção, negócio. É a humanidade que torna o gol do goleiro comovente. É o senso de que a desigualdade é algo errado que torna o gol do goleiro comovente. Não é o dinheiro! É a desigualdade que o dinheiro produz ser errada, que revela nossa humanidade através do esporte. É preciso ser franco e dizer que o gol do goleiro foi um baita de um ponto e vírgula. É preciso ser franco e aproveitar essa paz que esgoela enquanto há tempo, porque a cada dia, as BETs, corrupção do modelo associativo e/ou SAF destroem cada pontuação do texto. A cultura futebolística está em respiração mecânica; e se a vida é um desastre incompreensível que não sabemos ler; é preciso ser franco, e perguntar como faremos quando não houver uma mísera vírgula. Como respiraremos quando o dinheiro deixar o texto desvirgulado? 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O QUE VOCÊ VÊ? E O QUE VOCÊ ANDA VENDO POR AÍ?

PESSOA CANHOTEIRA QUE VAI POR AÍ...

TANGO DO SALDO DEVEDOR