ERRO DO CRONISTA (23/02/2026)

    A pergunta de milhões continua intacta como pergunta e sem nenhuma resposta. Como pode o Coringão devastar toda a nossa energia e isso ser a melhor experiência da Terra? Perdão! Erro do cronista. Troque “Coringão” pela palavra “Filho”. Note: Como pode o filho devastar toda nossa energia e isso ser a melhor experiência da Terra? É sério! A segunda-feira do cronista está exaustiva. Fisicamente, arrastei-me ao trabalho e a gravidade perpetra inúmeros ataques à minha pálpebra. Ainda hoje, será necessário ir ao mercado e escolher cuidadosamente os itens, porque poucas frases são tão impactantes quanto “é fim do mês”. Mas não importa! Foda-se! Aos intelectuais do texto contrários aos verbetes de baixo calão, foda-se vocês também! O palavrão é o idioma do esporte e “taça” é uma palavra de múltiplos significados. O SCCP é vida e vinho. Não separaremos nunca, portanto foda-se! O Coringão possibilitou mais uma memória eterna para minha paternidade. Uma confissão. Ou melhor, duas. Ver Pedro Raul caminhar para bater a quinta cobrança de pênalti foi assustador. A segunda confissão é de outra monta; ver a criança estressada pelo péssimo desempenho do Coringão foi difícil. A cada passe errado de nossos laterais, o jovem de 9 anos se irritava. E daí, conforme o tempo passava e o empate não acontecia, a ira foi dando lugar à desesperança, e a chuva que arranhava o Canindé parecia encher seus olhos. Depois de cantar e pular, as forças dele estavam por um fio. Os olhos já não podiam conter o rio. Como pai, restava-me a oportunidade de transmitir, dolorosamente, a filosofia do Corinthianismo. Não há tempo ruim e sempre acreditaremos. Por fora o convencia, e por dentro me debatia com uma pergunta árdua. Por que ter ensinado a se relacionar com o Coringão dessa forma? Porque não existe outra forma. É passado, presente, futuro, sofrimento, maloqueiragem, pertencimento, cultura e existência. Resultados são as circunstâncias que lidamos e não o que somos. O amor e a unidade coletiva é o que somos. Como diz Fernando Wanner, “Nós somos os Corinthians”. Logo, a resposta veio pelos pés, pelas vozes e pelas mãos. O resto é história. E sinceramente, foda-se o que você vai pensar, porque essa é a minha história. Perdão! Erro do cronista. Essa é a nossa história.
 

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