MOÇO
Desde que sou moço convivo com as gorduras
Também chamadas de torturas
Dilacerantes, cerebrais.
E meus cereais permanecem secos, rígidos.
Bêbado em becos, arroto bíblico
Ritmo de aço e íntimo do osso,
Mastigo um bolero belicoso.
E desde que sou moço é assim
Me perco do meio e de mim
E os delírios caprichosos, como avalanches
Fazem lanche do arquiteto, devorando por completo
Seus mais lindos pratos, seus mais lindos prédios
Demolindo meus tijolos desastrosos.
Correr na sinopse para tropeçar na sinapse
Viver no eclipse e morar na catarse
E desde que sou moço
Isso me caça e corrói
Me morde, maltrata e mói
Me traga, me trava, me intriga
Porque desde que ouvi “moço”
Estou preso no quão essa palavra é antiga.

Sempre genial. Te amo.
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