O ESPORTE EDUCA II


     De um jeito ou de outro, o esporte educa. A bola sequer rolou e os ensinamentos jorram por todos os canos e ângulos possíveis. Até onde vai a desfaçatez humana? A bola sequer rolou e a Copa do Mundo de 2026 já é histórica, e da forma mais desesperadora. O cartão vermelho dado ao árbitro Somali, considerado o melhor assoprador do continente africano, é uma simbologia trágica sem precedentes. Afinal, nem Hitler em 1936 conseguiu proibir atletas e trabalhadores olímpicos de participarem. 

    Qualquer um desses filmes americanos que entopem o cérebro brasileiro, como aqueles cheios de explosões, e cujo o fio moral coloca a violência vestida de heroísmo; bom, qualquer um desses filmes, com a mínima percepção dos espectadores podem educar. Você e o Tom Cruise sabem que 7 horas de interrogatório, como aconteceu com o atacante iraquiano, na verdade têm outro nome. A música do mundo é tocada assim há muito tempo. Não há Shakira ou Bad Bunny que consertem. O que há dentro do violão? Drogas, armas? Quebrem o violão! O que há fora do violão? Violações! Os Direitos Humanos são violados diariamente por todo o globo e a todo tempo. O esporte, assim como a vida e o superestimado Direito, também é refém da política. O Imperialismo não pensa que manda no mundo. O Imperialismo ainda manda no mundo e controla as narrativas, e já que o futebol adora e absorve para si todo e qualquer tipo de palavrão e ira, que ele sirva para elucidar uma coisa: as bolas pretas, brancas, roxas e laranjas partilham dessa visão imperialista! Trump e Obama são filhos do mesmo pai! Neste caso, a diferença é narrativa, discursiva e comportamental.

      A capa da revista L´equipe, caricaturando o presidente italiano da FIFA como marionete de Trump, são dois golaços. Mas não se enganem. O primeiro tento desperta a sociedade global de que algo está errado na elaboração e realização do torneio em solo americano. O segundo golaço é dilacerante, como os gols de Paolo Rossi em 1982, os pênaltis perdidos em 1986, a jogada de Dom Diego Maradona em 1990, os shows de Zinedine em 1998 e 2006, a trave de Marquinhos em 2022 e os gols do Uruguai em 1950. O esporte educa, mas a história demonstra que o ser humano costuma demorar para aprender. Ora 24 anos, ora 24 séculos. O golaço que atormenta é perceber que agora já é tarde. O preço sempre será cobrado de quem não volta para marcar, e fica só olhando o time rumar ao precipício. O esporte coletivo educa até mais! Educa como a vida, ou até as vidas, porque vida é singular sem nunca ser. Quando perdemos, perdemos todos. Quem olha, quem corre, quem está na reserva, quem treina, quem assessora, quem comprou ingresso, quem assiste pela televisão, e principalmente quem ouve no rádio enquanto dirige o 8400 – Terminal Pirituba. A bola sequer rolou e a derrota já chegou. Resta saber se por pontos ou por nocaute. Se o futuro reserva os pés de Baggio ou os 7x1, dependerá das mentes dispostas a aprender, e das almas compostas para lutar. Mas nesses parâmetros de poder e regulamento, a partida será perdida. De um jeito ou de outro.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O QUE VOCÊ VÊ? E O QUE VOCÊ ANDA VENDO POR AÍ?

PESSOA CANHOTEIRA QUE VAI POR AÍ...

TANGO DO SALDO DEVEDOR