CRÔNICAS DA COPA IV - EXTRA! PIZZA! OS ASSOPRADORES CHEGARAM PARA A FESTA!
Quando a Copa do Mundo caminhava para uma boa contraproposta sobre o uso da tecnologia excessiva no esporte, os assopradores não resistiram à tentação e conseguiram o protagonismo que evitaram durante toda a fase de grupos. Se fosse apenas a intervenção no jogo entre Alemanha e Paraguai, cujo impacto foi muito mais forte do que o bloqueio cometido pelo atleta alemão, passaria batido. Afinal, a seleção germânica teve outros 119 minutos e 57 segundos para modificar a própria vergonha. Mas o que se vê, após uma escolha conceitual sobre como a arbitragem deveria intervir pouco, é a consolidação do quão falido o modelo do VAR se apresenta.
Os lances e relances são reféns da repercussão, e este é o principal problema. Em uma Copa geograficamente controversa, diante da manutenção dos EUA como país sede e participante, associada à total falta de isonomia e violação dos Direitos Humanos contra seleções de origem árabe, asiática e africana, fica impossível não refletir sobre a política no futebol, ou melhor, o futebol político.
Uma confidência crônica na crônica: todas as vezes que o careca italiano que preside a FIFA aparece na tribuna durante os jogos, uma certa geógrafa feminista pró-Palestina e fã de Frida Kahlo se utiliza de palavras que pertencem ao futebol para adjetivá-lo. Ora, palavras de alto escalão são bem-vindas para esse burocrata covarde, visto que a Copa é uma vergonha em vários sentidos. Os sionistas - ou os que não sabem o que essa palavra significa -, tenderão a se importar exclusivamente com o que rola, ou não rola, nas quatro linhas. Não funciona assim! A razão de ser do campeonato está deteriorada. Atletas e torcedores subjugados e impedidos de participarem livre democrática e esportivamente do evento são a prova retumbante do fracasso, embora a imprensa e o dinheiro sigam em frente para costurar narrativas de que o mundo só existe de Greenwich para cá. É de embrulhar o estômago!
O careca Colina, um dos maiores árbitros da história, dirige a comissão de arbitragem da Copa e parecia ter acertado em cheio! Os donos do apito estavam permitindo que o futebol prevalecesse. O jogo estava fluido, dinâmico, sem a marcação das “faltinhas” cavadas e sem gestuais “militarescos”. Além dos assopradores adotarem uma justa medida nas questões disciplinares e celeridade nas decisões, o futebol e o VAR tiveram, até que enfim, um jantar perfeito. Os critérios ornaram no paladar de quem vê, quem joga e quem escreve; mas, como já era de se esperar, alguém fez questão de disparar o ketchup na pizza.
Antes de a crônica ser acusada de “carecofobia” - a moça do vídeo viral do programa do João Kléber é um exemplo -, não se trata da calvície dos dirigentes. O problema é que o cabelo do VAR é conceitualmente gigante e embaraçado; não interviu no gol de empate da Bélgica contra Senegal, onde há o contato dos dois braços do autor do gol nas costas do senegalês, mas deu as caras no final da prorrogação para marcar um pênalti para a Bélgica, no mínimo, questionável. O lance parecia mais uma dividida e a jogada termina com os europeus acertando o travessão. Cobrança convertida para os belgas, e Senegal deixa a Copa com legitimidade para questionar o que houve.
Alguém se lembra da espetacularização da convocação do time de Ancelotti? A mídia e receita envolvida em torno do nome de Neymar? Pois bem. 300 vezes maior que Neymar na história do futebol, é Cristiano Ronaldo e tudo que o envolve. A seleção lusitana nesta Copa amarra sua narrativa ao astro, cuja participação provavelmente é a última. O declaradamente amigo de Trump, está cercado pela melhor geração de portugueses desde 2006, ano de estreia do garoto aficionado pelo telão. Todas as prévias e análises em 2026 colocavam Portugal como uma das favoritas reais a taça, e a Croácia deixou tudo por um fio. Os atletas croatas ainda são jogadores de Futebol, com “F” maiúsculo. Eles não recebem metade da grife, engajamento digital e geração de receita que os talentos portugueses, mas executaram uma senhora partida de futebol. E daí veio a torta doce – alguns teimam em chamar de pizza -, e um pênalti passível de discussão foi marcado para o país do bacalhau. A falta de um contato acintoso e o interesse performático de Renato Veiga em cavar a falta revelam a fragilidade dos assopradores, que se tornaram nada mais que burocratas que correm, e quase sempre mudam o que decidiram a olho nu, ao serem chamados ao monitor. O futebol é um prato de contatos marginais, e marcar pênaltis dessa natureza é pedir para colocar queijo cheddar em uma já amada, tradicional e comprovadamente perfeita, pizza de atum.
O Futebol é um negócio de cifras extravagantes, e a FIFA é um monopólio no ramo das pizzas. A história da entidade é uma massa ética finíssima e as bordas e seus recheios são repletos de situações embaraçosas, vide João Havelange. Os casos delicados no meio político-administrativo do futebol vão de burocratas de carreira, a ex-jogadores que se transformaram em burocratas, como Michel Platini - mas verdade seja dita -, o craque francês fora absolvido em conjunto com Joseph Blatter – este último ex-presidente da FIFA -, das acusações de corrupção a que responderam. Todavia, o estrago da credibilidade já saiu do forno a lenha há tempos.
Seria irresponsável afirmar que haja qualquer tipo de tendenciosidade dos assopradores ou da organização do torneio. O debate se situa no que se transformou o esporte futebol. O VAR e a tecnologia são ferramentas importantes que sim, corrigem injustiças. Entretanto, fingir que seu uso é matemático e perfeito é ingenuidade. As novas tensões que o VAR trouxe ao futebol estão no âmbito da essência do esporte. Não se trata aqui de aferir se a tecnologia pode falhar ou não. Até porque, evidentemente que pode. O conflito principal está no erro humano pré-VAR, cometido em um milésimo de segundo, poder ter sido substituído pelo erro político-econômico-psicanalítico de uma conferência interpretativa. Mesmo que pizzas sejam deliciosas invenções humanas, a humanidade às vezes se superestima, ao conjecturar que 4 cabeças pensam melhor que uma. A não expulsão de Messi, a conduta do assoprador no jogo de Portugal, os episódios envolvendo a seleção iraniana e a maneira como Senegal foi eliminada, dão molho para a pizza de quem assiste, desconfia e pergunta – E se fosse ao contrário? Os carecas e cartolas deveriam ter mais cuidado, principalmente em sua pizza principal, porque a Copa é o campeonato que até os miseráveis comem. Sejam os que não gostam de futebol, sejam os que passam fome; sem metáforas. Orientar os pizzaiolos a não derrubarem cabelo seria benéfico para o esporte, a ética, a esperança e a boca. Desde antes das caravelas, a humanidade está careca de saber que muita coisa acaba em pizza. A Copa de 2026 terminará em um “After Review”? A ver.

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